A página do horóscopo de 9 meses atrás

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Aos 9 ou 10 anos, eu acreditava fielmente em horóscopo, afinal, ele estava em toda revista para pré-adolescentes e adolescentes que existia na época. Era o suprassumo da minha quinzena: se dizia os dias de sorte do meu signo, eu esperava que naqueles dias qualquer pequeno milagre acontecesse (e caso não acontecesse nada, eu fazia acontecer); se falava que eu deveria resolver meus pequenos problemas, eu resolvia e os superava; se dizia para eu tomar cuidado com alguém próximo, eu ficava extremamente cautelosa. E era isso, se estava na página do horóscopo (geralmente uma das últimas da revista), eu acreditava e esperava – ou buscava. Para mim, o horóscopo era mais certo que as leis de Newton.

Então você cresce, e começam a te questionar sobre o horóscopo. Ou você percebe que são coisas aleatórias que algum pobre estagiário foi obrigado a escrever para não deixar a página em branco. Mas lá no fundo, uma parte de você ainda acredita que é “uma verdadeira pisciana, com ascendente em capricórnio e lua em leão” (seja lá o que isso realmente signifique, é o meu caso)… Por mais que a maioria das pessoas que você convive queiram te convencer que é tudo mentira.

Hoje, folheando uma revista que nem sequer lembro o nome, vi a parte do horóscopo. Era de meses atrás, mas era coincidentemente o “meu” mês, o mês que eu sempre aguardava nas minhas assinaturas de revistas, porque geralmente a página do horóscopo tinha uma parte enorme só sobre… mim – e mais um milhão de garotas que faziam aniversário no mesmo mês. Era a revista que me deixava ansiosa, esperando por horas o entregador jogar pelo terraço da minha antiga casa. E aí lembrei de tudo o que eu sentia enquanto lia a revista e me aproximava da página mágica: ansiedade; “qual será o signo que combina comigo?”; “será que esse mês meu signo combina com o dele?”; vontade de fazer as coisas mudarem; felicidade porque certamente teriam boas “notícias”…Eram momentos que esqueci durante tantos anos. Folhear essa revista hoje me fez perceber: porque eu deixei de acompanhar toda essa coisa de horóscopo?

Eu gostava, eu entendia do assunto e era “ok” com isso, porque deixei que os outros interferissem de tal maneira que fui esquecendo com o tempo? Todo mundo tem “uma coisa”, aquilo que gosta de ler sobre, dar conselhos e tudo o mais. A seção do horóscopo era minha “coisa”, fazia parte da minha personalidade. Lembrei de todas as vezes que defendi minhas crenças, aconselhando todos a fazerem o mesmo…mas esqueci que anos atrás me dei por vencida. Mas não mais, o horóscopo era uma “verdade” que eu acreditava e hoje não tenho vergonha de admitir, assim como a verdade de uma amiga pode ser Deus (ou vários deuses), assim como a verdade do meu melhor amigo é o monstro do lago Ness (!) e como diz minha mãe: é assim que a banda toca. Cada um com sua verdade, ninguém devia julgar ninguém por acreditar em algo. Queria que fosse tão fácil.

PS. Acabei de lembrar que ler o horóscopo atrasado dá azar, mas que raiva!

 

 

 

 

mila

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